DAR O MELHOR DE SI

DAR O MELHOR DE SI

Fui surpreendido, há dias, com a leitura do livro “Dar o melhor de si”, publicado pelo Vaticano. O livro é de 2018 e é um documento sobre a perspetiva cristã do desporto e da pessoa humana. Um livro muito curioso e que me fez repensar sobre a ideia negativa da Igreja sobre o corpo e a desvalorização das práticas desportivas por aquela instituição milenar.

Ao contrário da época clássica em que se valorizou a beleza corpórea; veja-se as inúmeras esculturas em que o nu é predominante; na Idade Média, não são muito comuns os corpos nus, numa perfeita sintonia de ideias entre conceções do corpo e arte. O nu está quase arredado da pintura e escultura medievais.

Lendo o livro, ficamos conscientes da atual posição da Igreja relativamente a estas questões e a evolução operada ao nível do pensamento ao longo da sua história.

São inúmeras as referências ao desporto por parte do Papa João Paulo II, que eu desconhecia. A partir do seu papado verificou-se uma evolução positiva no que se refere à valorização do desporto e consequentemente à trilogia corpo-alma-espírito.

Neste sentido, a valorização do corpo é fundamental. É através dele que nós apreendemos o mundo através dos nossos órgãos dos sentidos e,  para além disso, o corpo pode ser entendido como uma plataforma em que podemos construir o gosto, a alegria e o sonho. É através do corpo que também sentimos o prazer, não apenas o prazer sexual, mas o prazer entendido numa perspetiva mais global: a descoberta de que a vida vale a pena.

No desporto, tal como na vida, temos de dar o nosso melhor. “Entrar em jogo, não para o empate medíocre, mas dar o melhor de nós mesmos gastando a vida por aquilo que verdadeiramente conta e que dura para sempre”. *

* Francisco, Discurso aos participantes no encontro por ocasião do septuagésimo aniversário da Fundação do Centro Desportivo Italiano, 7 de junho de 2014.

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