COMO LIDA COM AS SUAS CONTRADIÇÕES?

COMO LIDA COM AS SUAS CONTRADIÇÕES?

Viver é estar permanentemente a fazer escolhas. Muitas vezes damos por nós a colocar as seguintes questões: Qual a opção certa? Haverá opções mais certas do que outras? Haverá opções erradas? O que nos leva a optar por esta ou por aquela situação? O que está verdadeiramente na base das nossas decisões que tomamos ao longo das nossas vidas? Qual o papel da razão e da emoção?

Dizem os especialistas que grande parte das nossas decisões são tomadas a nível do nosso inconsciente, reduzindo o papel da razão nas escolhas que fazemos.

Decidir não é fácil. Como humanos que somos, temos o direito à legitimidade das nossas contradições. Quantas vezes já sentiu o desejo de partir, mas ao mesmo tempo, aquela inexplicável sensação de querer ficar? Tudo pode parecer contraditório, até mesmo a opção que nós julgávamos ser a opção mais correta. As crises surgem como desordem dentro da nossa própria ordem. Nada há de extraordinário nesta situação, pois a natureza humana é pródiga em estados de alma contraditórios. Em termos emocionais e também fisiológicos, não há equilíbrios perfeitos, a não ser quando o ser humano morre, em que o equilíbrio é total.

Nestes últimos tempos, tenho aprofundado o pensamento de Augusto Cury, psiquiatra e psicaterapeuta brasileiro, autor da Teoria da Inteligência Multifocal e que está na base da análise da construção dos pensamentos. Diz ele que se não fossemos seres pensantes, não teríamos consciência existencial – a consciência de que existimos e de que o mundo existe. Para ele, o processo de construção do pensamento humano é um processo dinâmico: o ser humano organiza-se, desorganiza-se, reorganiza-se, produz pensamentos, descaracteriza-os e volta a construi-los novamente. Tudo isto num processo dinâmico, longe de existir um equilíbrio perfeito.

Vivemos lado a lado com a esperança e com o desespero, com a harmonia e com o caos, com a ordem e com a desordem. Somos o produto de tudo isto. No entanto, uma coisa parece-me certa: viver é uma experiência extraordinária. Viver no aqui e agora e saborear a aragem do mar quando olhamos o pôr-do-sol, num fim de tarde, sem pensar em nada.

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